quarta-feira, 23 de setembro de 2015

ROMEIROS DE PADRE VICTOR SEGUEM PELAS ESTRADAS COM APOIO DE BOMBEIROS






Milhares de romeiros se encaminham desde o inicio da semana para a cidade de Três Pontas, com o intuito de participarem das comemorações do "Dia do Padre Victor", nesta quarta-feira (23).
O sacerdote, nascido em Campanha no dia 12 de abril de 1827 e falecido no dia 23 de setembro de 1905, já é considerado santo pelos fiéis, e é chamado de "Anjo Tutelar de Três Pontas", com caminho aberto para sua beatificação, podendo se tornar o primeiro santo negro brasileiro.
Muitos católicos seguem para a cidade em romaria pelas estradas, a pé, e o Corpo de Bombeiros, juntamente com a Policia Militar Rodoviária em vários pontos, cuidam para manter a segurança de todos no trajeto.

Fotos: Corpo de Bombeiros



HISTÓRIA (http://padrevictor.supertelnet.com/)

PADRE VICTOR E A SUA VOCAÇÃO

Padre Francisco de Paula Victor nasceu em Campanha - MG, em 12 de abril de 1827, em uma senzala (morada dos negros naquela época). Filho de Lourença Maria de Jesus, não se tem conhecimento de seu pai. É de origem humilde e humilhante, porque é filho de escrava. Nasceu numa época em que as Leis do Trono Português ajudaram e obrigaram a tratar os negros como COISA e sem DIREITO algum. Ele não teve registro civil, o que era impossível na época. O que prova o seu nascimento é o seu BATISTÉRIO. Aquela criança negra e pobre foi batizada em 20 de abril de 1827 e teve o amparo e o carinho de sua madrinha de batismo Dona Marianna Bárbara Ferreira, pessoa de grande importância na sua formação cristã. Francisco foi um menino forte, de lábios volumosos e nariz chato. Não tinha beleza e nem formosura. Mas, era inteligente, vivo, esperto e bom. Com essas qualidades e por privilégio de Deus ele estudou. Não se sabe se em casa com a madrinha ou com algum professor numa escola. O fato é que ele estudou, pois negro, filho de escrava, devia, quando forte como ele, trabalhar em serviços pesados na lavoura, no garimpo ou engenho. Outros eram encaminhados para trabalhos especializados como marceneiro, alfaiate ou pedreiro. Não era comum negro estudar. Era proibido por lei. Exerceu a profissão de alfaiate e teve por mestre o senhor Inácio Barbudo, a quem confidenciou o desejo de ser Padre e de quem recebeu uma crítica nestes termos: “Já se viu negro ser padre?” Com o apoio de sua madrinha de batismo, chegando a dar-lhe a metade de uma fazenda denominada “Conquista”, em Campanha, como patrimônio que era exigido na época e com a permissão de Dom Viçoso, bispo de Mariana, entrou no Seminário de Mariana - MG. Foi um homem marcado pela santidade, pois, em plena escravidão no Brasil, em que o negro não tinha nem vez e nem voz, conseguiu cursar o seminário provando que, para o Criador, não existe diferença de raça ou de condição social.
PADRE VICTOR E A SUA VIVÊNCIA CRISTÃ
No Seminário demonstrou sua vivência cristã. Passou por muitas humilhações, pois seus colegas "brancos" se recusavam a aceitá-lo. Chamavam-no de negro, beiçudo, deixando-o para os piores trabalhos. Victor aceitava tudo e procurava fazer bem as tarefas, servindo a todos. Aos poucos, reconheceram que se tratava de um seminarista exemplar e passaram a respeitá-lo. O bispo Dom Viçoso o apoiava e o estimava, chegando a proclamar as virtudes desse jovem, reconhecendo a sua vivência cristã, pois sabia compreender, perdoar e amar aqueles que o ofendiam.

PADRE VICTOR E A SUA EXPERIÊNCIA DE DEUS

Com 24 anos, em 1851, ordenou-se sacerdote, sendo sua primeira missa celebrada em Campanha – MG. Em 1852, veio para Três Pontas - MG. A população achou estranho Dom Viçoso enviar um sacerdote "negro". Era em plena escravidão negra, mas a população de Três Pontas, aos poucos, foi conhecendo as virtudes de Padre Victor, que pregava pelo exemplo. Não existem leis para as virtudes, mas, sim, o poder do Espírito Santo, para transformar o seu semelhante. Assim, consolou os aflitos, foi justo, soube perdoar, soube promover os semelhantes, sem distinção. Visitava os doentes, amparava os inválidos, atendia prontamente confissões, casamentos, encomendações. A população significava muito para ele, que, realmente, era um homem de Deus. Transmitia esperança na felicidade eterna, conquistada com o sacrifício de Cristo e agradecia a Deus por lhe haver revelado Jesus.

PADRE VICTOR E A SUA FÉ FRENTE AOS DESAFIOS DE SEU TEMPO

Padre Victor, o homem da fé, venceu os obstáculos do seu tempo. Em lugares mais distantes ia a cavalo e, quando mais idoso, usava o carro de bois. Seus paroquianos recorriam a ele em suas necessidades. Sentiam na sua presença o alento, a segurança. Recorriam a ele os que tinham fome, desentendimentos familiares, doenças, falta de habitação, vestuário, trabalho. Crianças, adolescentes, jovens e adultos recebiam dele carinho e atenção. A justiça e a fé eram virtudes pregadas pelo Servo de Deus aos seus paroquianos com firmeza e coragem. E, assim, conquistou todo o rebanho para o Criador. Era bom, mas era enérgico.

PADRE VICTOR E A SUA FIDELIDADE AO MAGISTÉRIO DA IGREJA

Padre Victor foi fiel aos ensinamentos da Igreja.
Jamais deixou seus paroquianos sem a celebração da Eucaristia. A sua casa era de todos, principalmente dos mais necessitados. Para melhor instruir e catequizar o povo, criou em Três Pontas o colégio "Sagrada Família", com uma organização perfeita, atendendo não só a cidade, mas toda a região. Era presença marcante em todas as comemorações escolares. Procurava transmitir aos seus alunos o respeito, não só às leis da Igreja, mas também o seu dever de cidadãos. Era excelente professor de latim e francês.

PADRE VICTOR, UM SACERDOTE ZELOSO

Padre Victor tinha grande zelo por Nossa Senhora e devoção a ela. Era esmerado no trato das coisas sagradas.
O gosto e o respeito religioso com que realizava os atos litúrgicos eram notados por todos. As solenidades religiosas eram belíssimas. Dizem que ele convidava exímios oradores. Encerrava sempre as cerimônias com a bênção do Santíssimo. Padre Victor pregou, pelo exemplo, a fé, a esperança, a fortaleza, a prudência, a justiça, a castidade, a temperança, a humildade, o temor a Deus e, sobretudo, a caridade. Amava a Deus na pessoa de seu semelhante, de modo especial, dos mais pobres.

PADRE VICTOR, UM HOMEM DE ORAÇÃO E DE SERVIÇO

Padre Victor foi um sacerdote da oração e do serviço. Pregava a união e a fraternidade. Viveu de esmolas e dando esmolas. Para ajudar o seu povo chegou a contrair dívidas, mas foram todas pagas. Entregou o prédio onde funcionava a escola para pagá-las. Mas o seu credor devolveu-o, para que lá vivesse, enquanto vida tivesse, fazendo assim a doação, que futuramente seria o hospital das misericórdias, certamente com a finalidade de continuar a caridade pregada por Padre Victor. O pároco emprestava a sua escola para as festas, em que a população se divertia dentro da mais completa ordem, porque o sacerdote estava presente em todos os momentos, quer alegres, quer tristes.

PADRE VICTOR, UM SANTO HOMEM

Toda a sua vida foi simples e pura ... Algo do céu. Como sacerdote, ele glorificou a religião. Como cidadão, primou-se pelo cumprimento do dever. E, como mestre, dedicou-se à arte de educar várias gerações. Sua vida não lhe pertencia, era da pobreza; a sua casa era de todos e os seus bens, de quem deles carecesse. Padre Victor tinha fama de santidade, mesmo em vida. Seus atos e atitudes eram de alguém que, com os pés na terra, cantava as maravilhas do Senhor. Paroquiou Três Pontas por cinqüenta e três anos. Faleceu em 23 de setembro de 1905. A notícia de seu falecimento abalou toda a cidade e a região. Ficou insepulto por três dias e, de seu corpo, exalava perfume. Em 1929, a população ergueu na Praça, que tem o seu nome, uma "Herma" contendo os seguintes dizeres: "Sua vida foi um evangelho, sua memória a sagração eterna de um exemplo vivo. Homenagem ao valor e à virtude".

PADRE VICTOR E A SUA PARÓQUIA, ONTEM E HOJE

Homem de Deus a serviço do povo e Homem do povo a serviço de Deus.
Padre Victor zelou pela sua Paróquia ontem e hoje. .
O heroísmo do Servo de Deus Padre Victor foi a luz que iluminou a Paróquia da sua época e deixou um rastro iluminando a de hoje.
Padre Victor marcou a história de sua época e deixou grandes exemplos para a nossa Igreja.
Em sua Paróquia foi o sacerdote da comunhão, da solidariedade e da partilha.

PADRE VICTOR E O SEU PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO.

As graças e milagres que a população dizia receber pela intercessão de Padre Victor eram inúmeros e seu nome passou a ser intensamente usado para nomes de pessoas, estabelecimentos comerciais, ruas, bairros, associações. Durante todo o ano milhares de romeiros se dirigem a Três Pontas, de modo especial no dia 23 de setembro (aniversário de sua morte), para agradecer os favores recebidos. Tais procedimentos fizeram com que o então Vigário Geral da Diocese de Campanha - MG, Monsenhor João Rabello de Mesquita, em 1962, iniciasse um estudo sobre a sua vida, com a ajuda do recém-criado Carmelo São José de Três Pontas, cuja priora era a irmã Tereza Margarida do Coração de Maria. Com o falecimento de Monsenhor Mesquita, outros procuraram concluir o estudo. Dom José da Costa Campos, trespontano, bispo Emérito de Divinópolis - MG, muito divulgou a vida de Padre Victor. Disse que ele educou pelo exemplo, pois viveu as virtudes cristãs com as quais ele conquistou seu povo. A sua memória continua viva em Três Pontas, em toda região e em todo país
Sentindo que os devotos aumentavam as visitas a Três Pontas para agradecer os favores recebidos por sua intercessão, o então pároco, Padre Antônio Gonçalves Neves, em 1989, pediu ao senhor bispo daquela época, Dom Aloysio Roque de Oppermann, que nomeasse Monsenhor José do Patrocínio Lefort postulador para a Causa de Beatificação e Canonização de Padre Victor. Em 1993, instalou-se o Tribunal em Campanha, para o conhecimento da vida, virtudes e fatos miraculosos atribuídos ao Padre Victor. Em Três Pontas, o Tribunal foi instalado no Carmelo São José e interrogou muitas pessoas. Dom Aloysio determinou que se criasse uma Associação, que, dentre outras finalidades, cuidasse de coletar e divulgar fatos da vida do Servo de Deus. Em 1996, a Associação foi criada. Em 1998, Irmã Célia B. Cadorin (da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição) continuou os trabalhos no processo de beatificação, juntamente com a Associação Padre Victor. Atualmente, o postulador é o Frei Paolo Lombardo e a Irmã Célia é a vice-postuladora. Em 24 de maio de 1998, inaugurou-se o Memorial Padre Victor, na Rua Azarias de Brito Sobrinho, 61, em Três Pontas - MG. Em 12 de junho de 1998, foi feita a exumação, com a presença do postulador, vice-postuladora, Dom Diamantino Prata de Carvalho, bispo de Campanha, sacerdotes, Associação, autoridades e fiéis. Seus restos mortais foram levados ao Carmelo São José para estudos dos peritos médicos. Em 28 de junho de 1998 foi a trasladação dos restos mortais do Servo de Deus do Carmelo São José para a Igreja Matriz de Três Pontas. No mês de maio deste ano, Frei Paolo Lombardo e Irmã Célia B. Cadorin entregaram ao Bispo da Diocese de Campanha, Dom Diamantino Prata de Carvalho,um livro contendo o "Sumarium" e a Biografia Documentada, que foram aprovados pelo Relator Padre José Luis Gutierrez. Deixaram também com a Associação um exemplar do referido livro. Foi mais uma etapa vencida. Em 2002 a “Positio” foi examinado pela Comissão dos Historiadores da Congregação da Causa dos Santos e aprovada. Que os sucessores de Padre Victor em Três Pontas sigam o exemplo de nosso Anjo Tutelar para a glória de Deus e a santificação das almas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça o seu comentário com bom senso e equilíbrio