O ÚLTIMO JOGO DE VITOR - Há uma certa luz no final de tarde que parece feita especialmente para os campinhos de futebol. É uma luz dourada, que alonga as sombras e transforma cada lance em uma cena de cinema. Foi sob essa luz, na quinta-feira, que a vida de Vitor Anastácio Neto, um garoto de 16 anos, escreveu seu capítulo final em um ginásio de Pouso Alegre. O futebol é a linguagem universal da amizade. A bola rola, os gritos ecoam, o suor escorre – é um ritual de pura alegria. Vitor estava imerso nesse ritual, correndo atrás de uma bola como havia feito tantas outras vezes. De repente, a partida parou. Não por um falta ou um gol, mas por um silêncio súbito. O garoto caiu. Sentou. O corpo, que há instantes era pura energia e graça, foi tomado por uma convulsão. A vida, tão vibrante, dava mostras de uma fragilidade assustadora. O que se seguiu foi um esforço heroico e desesperado para prendê-la. Um policial, que por acaso estava ali, não como autoridade, mas como homem, correu e iniciou...