Uma aprofundada investigação da Polícia Civil de Minas Gerais aponta que Henay Amorim, uma mulher de 31 anos, já estava morta até duas horas antes de um acidente com o carro em que ela estava com o marido registrado na MG-050, em Itaúna, no Centro-Oeste de Minas. O companheiro dela, o empresário Alisson de Araújo, confessou uma série de agressões entre o trajeto na rodovia, mas nega que tenha provocado o acidente para ocultar um crime de feminicídio, conforme detalhado nesta terça-feira (16/12) pela polícia. Ele acabou preso durante o velório da vítima.
Os laudos periciais indicam que a causa da morte pode ter sido traumatismo craniano ou asfixia, com lesões identificadas na cabeça e no pescoço, o que levou a instituição a contestar a versão do suspeito, de que a sua esposa teria morrido em decorrência do acidente.
Conforme a Polícia Militar Rodoviária, o acidente ocorreu por volta das 6h05 de domingo (14), no km 90 da MG-050. O VW T-Cross seguia no sentido Itaúna–Divinópolis quando, em um trecho de curva, cruzou a pista contrária e foi atingido transversalmente por um ônibus que trafegava no sentido oposto. O motorista do coletivo tentou frear, mas não conseguiu evitar a colisão.
Alisson quebrou a clavícula, recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhado ao Hospital de Itaúna. Lá, recusou-se a permanecer e saiu da unidade hospitalar.
Os fatos que levaram ao óbito da mulher ocorreram no último sábado (13), e teriam começado durante uma festa em que o casal estava. Eles teriam discutido e seguido para o apartamento onde moravam, em um prédio do qual Alisson é síndico, e lá, o homem bateu no nariz da mulher, que começou a sangrar. Ele disse à polícia que usou um lenço umedecido para limpar o sangue.
Depois, por volta das 5h00 de domingo, segundo o suspeito, ambos saíram de carro para ir a Divinópolis, onde, segundo seu relato, a Helay queria buscar algumas mudas de roupas. No caminho a discussão teria reiniciado, e por isso, no trajeto, o carro teria parado por duas vezes. A vítima conduzia o veículo e, segundo o agressor, ela teria iniciado as agressões, parando o veículo. Ele diz que foi pra cima dela, comprimido o seu pescoço. Num primeiro momento, ela não teria desfalecido, mas, em outro, antes de chegar ao pedágio, ele jogou a cabeça dela com mais força contra o veículo e comprimiu o pescoço do lado direito, só parando após ela ficar inconsciente, segundo afirmação da Policia Civil.
O suspeito disse então que assumiu a direção do veículo, mas com a mulher ainda sentada no banco do motorista, porque "não queria mexer no corpo", e seguiu viagem com ela desacordada até chegar a um pedágio. Ele diz que os funcionários da concessionária estranharam a situação (lógico, né?) e ofereceram ajuda da empresa, que foi recusada. Afirmou ainda que não assumiu o posto de condutor porque havia bebido na noite anterior. Após o pedágio, a mulher acordou e começou a briga de novo, o que teria provocado o acidente. Disse também que ela o ameaçou de morte e jogou o carro contra um ônibus, outra afirmação rejeitada pelas investigações.
Foram realizadas duas necropsias pela Polícia Civil: a primeira, quando a morte ainda era tratada como decorrente do acidente; a segunda, após a reviravolta do caso com indícios de feminicídio. O corpo de Henay foi retirado do velório, na segunda-feira (15/12), para novos exames, quando então foi constatado que a morte pode ter ocorrido por traumatismo craniano ou asfixia, ou ambas, mas as lesões não "são compatíveis com acidente de trânsito". O legista ainda afirmou que a vítima poderia estar morta até duas horas antes do sinistro.
O motorista do ônibus que acabou envolvido no acidente, de 30 anos, desceu para prestar socorro. Em depoimento, ele relatou que ao pegar no pulso para verificar os sinais vitais de Henay, ela já estava sem vida, com o corpo gelado, boca cerrada e roxa. Ela ainda apresentava sangue já seco no nariz.
As investigações começaram após a operadora do pedágio desconfiar da situação. Ela perguntou a Alisson o que teria acontecido com a motorista, e como ele falou que se tratava de uma queda de pressão, a funcionária disponibilizou uma equipe para prestar socorro. Pediu que parasse o veículo mais a frente para a assistência. Ele teria acenado positivo, mas arrancou o carro e seguiu sentido Divinópolis. Acertadamente, a operadora acionou um supervisor, que repassou as imagens a um policial militar. As imagens chegaram à família, que acionou a Polícia Civil. Desde então, Alisson passou a ser monitorado e acabou preso durante o velório, na segunda-feira (15).
Segundo a polícia, Alisson possui três registros policiais: dois por dirigir embriagado, em 2013 e 2016, e um por violência doméstica em 2023.
Henay e Alisson mantinham um relacionamento havia cerca de um ano e moravam juntos há sete meses em um apartamento no Bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte. Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil relataram que o relacionamento era conturbado e marcado por agressões graves. Apesar das orientações de familiares, Henay nunca registrou ocorrência formal contra o companheiro.
Por isso vale sempre o recado. Mulher, não se submeta a isso! Primeiro, já seria bom se conseguisse evitar relacionamento com pessoas que já tem histórico de violência e, segundo, denuncie qualquer tipo de agressão à Delegacia mais próxima de você, ao 190, para atendimento imediata em caso flagrante, ou ao 180, o telefone de denúncias de violência contra a mulher.

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