A Polícia Civil investiga um suposto golpe imobiliário no Sul de Minas que já atingiu 14 vítimas, com prejuízo estimado em R$ 3,2 milhões. O caso envolve negociações de compra e venda de imóveis intermediadas pela imobiliária Newhouse Ltda., de Pouso Alegre (MG), e por corretores da região. Na semana passada, as apurações apontavam prejuízo de R$ 850 mil; com novos registros de ocorrência e depoimentos, os valores e o número de afetados aumentaram.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações foram divididas entre as comarcas responsáveis pelos registros. Em Bueno Brandão (MG), há cinco registros de eventos de defesa social, que somam 12 vítimas. Em Pouso Alegre, a Delegacia de Defraudações conduz dois procedimentos. Os investigadores buscam ouvir todas as vítimas e testemunhas para dimensionar a extensão dos possíveis crimes.
O caso veio à tona no início de outubro, quando compradores procuraram a polícia para relatar irregularidades em contratos de compra e venda de imóveis em Pouso Alegre. Segundo os relatos, os compradores pagavam entradas, quitavam débitos ou assumiam dívidas de imóveis financiados, mas os valores não eram repassados aos proprietários originais nem às instituições financeiras. Em alguns casos, as vítimas só percebiam o problema quando tentavam regularizar a documentação dos imóveis que acreditavam ter comprado.
O Ministério Público informou que, até o momento, não instaurou procedimentos contra a empresa, mas acompanha os inquéritos conduzidos pela Polícia Civil e pela Promotoria de Justiça de Bueno Brandão. O Creci-MG informou que recebeu, em julho, uma denúncia contra a imobiliária e profissionais envolvidos; o procedimento administrativo está no setor jurídico do conselho para parecer, e os registros da empresa e dos profissionais continuam ativos e regulares até eventual instauração formal e julgamento. A reportagem entrou em contato com o advogado da imobiliária, que disse que só vai se manifestar após conhecer todos os casos registrados na Polícia Civil.
O Creci-MG orienta que, antes de fechar um negócio imobiliário, o consumidor verifique se a imobiliária e o corretor possuem registro regular, solicite a matrícula atualizada do imóvel diretamente no cartório e confira informações sobre financiamentos junto aos bancos. Também recomenda desconfiar de pedidos de transferência para contas de terceiros e de negociações com pressão para fechamento imediato. Em caso de suspeita, a orientação é interromper os pagamentos, reunir contratos e comprovantes, registrar boletim de ocorrência e comunicar a instituição financeira para tentar impedir novas transferências.

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