O Santarritense Futebol Clube anunciou o cancelamento do contrato com o grupo de Belo Horizonte responsável pela administração do futebol após a derrota por 23 a 1 para o Novo Esporte Clube Itabirinha, pela quinta e última rodada da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. A goleada, disputada no Estádio Municipal Coronel Erasmo Cabral, em Santa Rita do Sapucaí, com portões fechados por determinação da Federação Mineira de Futebol, tornou-se a segunda maior sofrida por um time profissional na história do futebol brasileiro — atrás apenas do 24 a 0 do Botafogo sobre o Mangueira, em 1909.
O clube ficou quatro anos sem disputar competição profissional e, diante das dificuldades para montar o elenco, transferiu a administração do futebol para um grupo de Belo Horizonte, em contrato de arrendamento de dois anos. Segundo o presidente José Romildo Bueno, o Bugalu, após a repercussão da goleada, a diretoria publicou nota para esclarecer que não estava à frente da gestão do futebol durante a campanha. "Houve muita cobrança dos torcedores, amigos nossos, do Brasil todo, achando que era a gente que estava à frente. Então, a gente colocou essa nota, dizendo que passamos durante dois anos para eles e que estamos agora cancelando esse contrato, para a gente retomar e tentar melhorar a situação que ficou", disse. O Santarritense também informou que o projeto de reestruturação do clube tem duração prevista de cinco anos e é voltado à revelação e formação de novos talentos.
A campanha terminou com o time na última posição do Grupo A: em cinco partidas, sofreu 54 gols, marcou dois e teve saldo negativo de 52. A estreia foi com derrota por 3 a 0 para o Nacional de Muriaé; depois, 8 a 0 para o Venda Nova; 7 a 1 para o Inter de Minas, quando marcou o primeiro gol; 13 a 0 para o Nova Lavras; e, na última rodada, os 23 a 1 diante do Itabirinha. A vendedora Elen Gonçalves lamentou a expectativa frustrada e desejou sorte ao time na próxima temporada.
Ex-jogadores também reagiram. Ricardo Gomes Cruz, o Baiano, comparou a estrutura atual com a de outros períodos e disse que "dá um nozinho na garganta" ver o resultado, lembrando que houve épocas com menos recursos e melhores resultados. Antônio Longuinho, que começou na escolinha do clube aos quatro anos e estreou como profissional aos 17, criticou o impacto do resultado para o município: "Muito indignado que eles vêm, jogam, usam o nome da cidade e não estão aqui hoje. [...] E a cobrança fica em Santa Rita do Sapucaí". A cidade, com cerca de 42 mil habitantes, é berço de nomes como o pentacampeão Roque Júnior, Heriberto e Kennedy.
Fique por dentro das novidades

Comentários
Postar um comentário
Faça o seu comentário com bom senso e equilíbrio