O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram na noite deste domingo (18) no primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes. Em três blocos, os candidatos discutiram segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e maioridade penal, além de trocarem acusações sobre corrupção e investigações envolvendo aliados e familiares. O encontro ocorreu uma semana antes da votação, marcada para 25 de outubro, em um cenário de empate técnico nas pesquisas: o Datafolha mostra Flávio com 47% e Lula com 45%.
No primeiro bloco, sobre segurança pública, Flávio prometeu declarar "guerra ao narcoterrorismo", classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas e afirmou que líderes de facções poderão ficar até 80 anos presos. Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, que amplia a participação da União e prevê a criação do Ministério da Segurança Pública, e citou a Lei Antifacção, sancionada em março. "Para o trabalhador e para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão", disse o presidente. Na economia, Lula priorizou o incentivo aos pequenos negócios e aos MEIs e afirmou que o país está próximo de recuperar o grau de investimento. Flávio criticou a "gastança" do governo, o crescimento da dívida pública e prometeu cortes no Orçamento para reduzir o endividamento e ajudar famílias endividadas.
No confronto direto, Lula questionou Flávio sobre um voto contra a ampliação da licença-maternidade em 2009, e o senador disse não ter "absolutamente nada contra as mulheres", sem explicar o voto. Flávio cobrou explicações sobre a empresária Roberta Luchsinger e investigações envolvendo Lulinha, filho do presidente. O Planalto negou que Lula tenha tido interlocução com Roberta. Lula, por sua vez, cobrou esclarecimentos sobre o pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro; Flávio nega irregularidades. Os dois também trocaram acusações sobre o INSS, a escala 6x1 e a relação com os Estados Unidos, e Lula desafiou o adversário a abrir sigilos bancários e telefônicos.
No segundo bloco, sobre saúde, Flávio defendeu prontuário eletrônico único, telemedicina, inteligência artificial e o "padrão Einstein" no SUS, além de confirmar Claudio Lottenberg como futuro ministro da Saúde. Lula criticou a gestão da pandemia no governo Bolsonaro e questionou se a proposta significaria privatizar o SUS. No confronto, discutiram saída temporária de presos, escala 6x1 e salário mínimo. No terceiro bloco, sobre produtividade, Lula citou a Nova Indústria Brasil e investimentos em economia digital e verde; Flávio propôs tratar a internet como infraestrutura e criar uma plataforma para conectar trabalhadores a empresas. No confronto final, discutiram terras raras, relação com os EUA, maioridade penal e segurança. Flávio defendeu castração química de estupradores e redução da maioridade penal; Lula citou medidas de bloqueio de celulares roubados e políticas de crédito e educação.
Nas considerações finais, Lula defendeu a continuidade do governo, a recuperação da indústria e estatais "fortes e produtivas". Flávio prometeu não fazer promessas que não possa cumprir, defendeu a criação do Ministério da Prosperidade e pediu votos. A mediação foi dos jornalistas Eduardo Oinegue e Adriana Araújo, com participação de veículos do pool. Flávio chegou primeiro aos estúdios e disse esperar o confronto desde o primeiro turno; Lula afirmou esperar "uma aula de civilidade" e que a sociedade está cansada de provocações.

Comentários
Postar um comentário
Faça o seu comentário com bom senso e equilíbrio