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MULHER DADA COMO MORTA EM RODOVIA TEM ALTA E VOLTA PRA CASA

A mulher atropelada em uma rodovia de Bauru (SP), dada como morta pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e reanimada por um médico da concessionária, recebeu alta e deixou o Hospital de Base na tarde desta quinta-feira (5).

Fernanda Cristina Policarpo, de 29 anos, foi atropelada na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros no dia 18 de janeiro e socorrida inicialmente pelo Samu.

Nesse primeiro atendimento, a médica da equipe do serviço de emergência declarou a morte da vítima, mas pouco depois, um médico socorrista da concessionária percebeu que ela ainda respirava e fez a reanimação.

Fernanda foi levada para o Pronto-Socorro Central e depois transferida para o Hospital de Base, onde ficou internada por 19 dias, sendo 9 deles na UTI.

No dia 24 de janeiro, a vítima já tinha apresentado sinais de recuperação ao responder estímulos pela primeira vez em uma semana. Dois dias depois, ela recebeu alta da UTI e foi encaminhada para um leito de enfermaria, onde recebia o tratamento até a alta nesta quinta-feira.

A alta foi celebrada pelos funcionários do hospital e também pela família de Fernanda. Ainda com dificuldade de fala, ela disse que estava bem. Todos se reuniram no corredor com bexigas e cantaram. Fernanda foi levada para casa em uma ambulância do hospital.

O atropelamento foi registrado na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru, na noite do dia 18 de janeiro. Uma mulher que tentava atravessar a rodovia foi atingida por um carro.

Segundo o boletim de ocorrência, logo após o acidente, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada e constatou o óbito de Fernanda. Com isso, a rodovia foi interditada e o Instituto Médico Legal (IML) chegou a ser acionado para a remoção do corpo.

Pouco depois de o Samu deixar o local, um médico da concessionária percebeu movimentos respiratórios de Fernanda, que já estava coberta por uma manta térmica sobre a pista, objeto comumente usado em ocorrências para ocultar corpos em casos de acidentes fatais.

Ao perceber que a mulher ainda respirava, o médico da concessionária iniciou imediatamente as manobras de reanimação.

A vítima foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru em estado grave.

Após conhecimento dos fatos, a Prefeitura de Bauru, responsável pelo Samu no município, informou que apura os fatos relacionados ao atendimento e que, caso se constate qualquer irregularidade, serão adotadas as devidas providências, conforme os protocolos e normas vigentes.

Com a repercussão do caso, a direção do Samu informou que abriu uma sindicância interna para apurar possíveis falhas no atendimento e afastou a médica que atestou o óbito até a conclusão da investigação.


Fernanda foi transferida do PSC de Bauru para o Hospital de Base de Bauru, em estado grave, onde ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por nove dias, até receber alta no dia 26 de janeiro e manter o tratamento no leito de enfermaria até esta quinta-feira (5), quando recebeu alta completa e deixou o hospital.

Testemunhas perceberam o erro - Um vídeo feito por testemunhas que acompanhavam o atendimento do Samu flagrou o momento em que a equipe médica cobria Fernanda por completo, estirada na rodovia e desacordada, com a manta térmica - procedimento adotado em casos de morte.

Durante a gravação, é possível ouvir pessoas falando à equipe do Samu que a vítima estava respirando. No dia 21 de janeiro, A testemunha que fez a gravação falou ao G1, da rede Globo, que tentou alertar o Samu. "Eu falei para o pessoal do resgate: 'Gente, a mulher está viva, está respirando devagarzinho, mas ela está respirando. Ela está respirando de boa no saco. Aí, o pessoal do resgate falou que o Samu já acionou o IML, que ela morreu. Nem eles acreditaram que o Samu deu um óbito para alguém vivo. Aí, desceram, foram ver e viram que estava viva."

Investigações - A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o acidente e o socorro prestado à vítima. Segundo o delegado Eduardo Herrera, o inquérito ainda não foi tipificado, mas vai apurar toda a dinâmica do caso — desde o atropelamento até uma possível omissão de socorro e negligência médica por parte da equipe do Samu.

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) abriu uma sindicância para apurar a conduta. De acordo com o conselho, consultado pelo g1 no dia 22 de janeiro, a apuração correrá sob sigilo determinado por lei. A identidade da profissional não foi divulgada.

Estado de saúde atualizado - Fernanda recebeu alta nesta quinta-feira (5), após 19 dias internada, sendo 9 deles na UTI.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, em inquérito aberto para apurar tanto as circunstâncias do acidente quanto o atendimento à vítima; além das apurações internas por meio das sindicâncias abertas pela Prefeitura de Bauru, responsável pelo Samu regional, e do Cremesp.




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